Covid até às orelhas...


Uma das coisas que sempre fiz foi escrever, escrever muito e depois de estar há um ano parada, decidindo regressar a estas bandas, não podia deixar de escrever sobre o assunto que mais me têm ocupado os dias e as noites. 

Não há outra forma de dizer isto... Estou farta do covid-19, estou mesmo farta. Como estamos todos, ou quase todos. Sim, digo quase todos, porque aquelas pessoas que estão nas filas de trânsito e que estão nos parques não contam para esta estatística. Mas eu estou mesmo farta. Por todas as razões e mais algumas sabem. A partir do dia 8 ou 9 desde mês começou um filme que eu não esperava ver ao longo deste ano de 2020 e acreditem que as minhas esperanças para com este ano já não estavam grande coisa. Viver cada momento no trabalho sem saber ao certo como iam ser os dias, olhar para os meus pequeninos e temer pelo bem estar de todos, perceber que se calhar no final da semana íamos todos para casa e não nos iríamos ver durante algumas semanas, começou a mexer comigo, como mexe sempre. O ser humano não nasceu para ser proibido, não gostamos, não sabemos lidar com esta nossa nova prisão. Ah, espera, para alguns. Pois. Nota-se muito que estou farta que as pessoas achem que estão de férias? Fiquem em casa, porra. Fechem-se já, para rapidamente sairmos por amor de quem vocês quiserem. 

Infelizmente a notícia saiu e o alivio da segurança de irmos para casa foi boa, mas ao final do dia, trancar a porta do colégio foi um dos momentos mais complicados. Ver que depois do fim de semana não íamos estar lá, não íamos ver cada birra, cada choro, nada. Eu não sei viver muito bem sem os meus bebés, como vocês sabem, Nem muito bem, nem muito mal. Eles fazem com que a minha ansiedade seja menor, tornam os meus dias melhores, sou feliz, feliz do coração com eles por perto. Por todos os beijinhos, todos os miminhos, todas as brincadeiras que fazemos. Todos os dias me custa mais um bocadinho não estar com eles. Vejo-os, estou perto deles de forma virtual, que é a possível. Cantamos todos juntos, fazemos com que todos se riam um bocadinho e tentamos fazer com a distancia pareça mais pequenina, mas já tenho muuuuuitas saudades e eles já sabem que quando regressarmos vão todos levar muitos mimos da "Joana". Porque eles são e serão sempre a melhor parte dos meus dias. 

Até lá resta-nos tentar manter a calma, dar-mos as mãos uns aos outros, sem nos tocarmos. Os dias vão sendo mais e nós vamos estando cada vez mais cansados, mais saturados, com mais medo e é preciso agarrar-mo-nos ao que temos à nossa volta. Agarrar-mo-nos ao virtual urgentemente, por mais que seja difícil. O importante é que esta pandemia termine o mais rapidamente possível. 

Mas nunca mais nos vamos esquecer, pois não?
Nunca pensámos que iríamos ser nós a viver uma pandemia... Calha sempre aos outros, noutra altura, noutro sítio. 

Eu nunca me irei esquecer e sei que no fim de tudo isto provavelmente serei outra pessoa. Acho que nem podia ser diferente. 

#fiquememcasa #stayhome #staysafe

(o desenho é do Salvador. Que tem trabalho todos os dias em casa)

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