Dos dias felizes e das saudades...

Para quem chegou ao estaminé agora e não sabe o que faço da vida, depois desta fotografia já ficou a saber. É isso, todos os dias, eles são os meus dias, fazem parte de 8 horas dos meus dias e isso significa que é uma grande parte. Neste momento estou impossibilitada de fazer tudo o que implica contacto presencial com eles o que me deixa muito triste. Quem não me conhece não o sabe, mas quem convive comigo mais do que o estritamente normal sabe que estar afastada deles me tira grande parte da alegria dos meus dias, até mesmo nos dias em que todos decidem gritar ou berrar, fazer os cócós todos ao mesmo tempo ou virar a sala de pernas para o ar. Por isso é que nós somos cuidadores, acima de tudo, porque nós estamos lá para cuidar deles, olhar por eles e ajudá-los. Também sei que nem todos vivemos isto da mesma maneira e nem todos fazemos tudo com o mesmo coração lá pelo meio, mas eu faço e por isso sinto mesmo muitas saudades vossas, minhas pestes. 

Sei que para quem está na luta, em todas as linhas da frente, nos hospitais, nas farmácias, nos supermercados e em todos os outros estabelecimentos que não puderam fechar não está a ser fácil, o medo é mais do que muito e o caos está instalado. Eu sei disso. Mas quem está em casa, falando por mim, que sou apenas uma vez, sinto-me impotente e só queria voltar aos dias em que entro pela porta e todos os meus miúdos vêm a correr ter comigo, pedir um abraço ou um beijinho. Não está fácil para ninguém, mentalizemos as nossas cabeças e corações disto. No fundo, no fundo, isto só está bom para quem insiste em ir passear, porque não devem sentir grande coisa. 

A todos aqueles que estão na linha da frente, em todas as linhas da frente, continuem com toda a força deste mundo porque vamos dar a volta e vamos conseguir. 
A todos aqueles que como eu se sentem assim, força, agarrem-se ao que podem e não podem. 

Até lá eu irei continuar a fazer as minhas videochamadas, as minhas planificações, as figuras tristes em direto para os meus ou por outras palavras, a tentar dar tudo o que posso dar sem estar com eles, porque no fundo é isto, é tentar dar tudo o que está ao alcance. Não é perfeito? Não será, porque o estar ao pé deles e ajudá-los é uma coisa diferente, mas se não posso estar, que lhes dê a eles e a todos os pais e mães que estão na luta e estão a acompanhar e apoiar-nos, tentando manter as nossas rotinas, tudo o que estiver ao meu alcance. 

Comments

  1. A saudade já começa a apertar, bem sei! Temos de nos aguentar e acreditar que tudo vai passar :)

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